Páginas

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

O silêncio que há em mim

Há anos carrego comigo essa “característica”, esse bloqueio e esse peso. Sim, chega um determinado momento que isso chega a ser um peso. Sinto-me atravancada, impossibilitada de expressar-me, dizer o que penso e o que sinto de forma natural e espontânea.

O desejo se faz angustioso. O retraimento das palavras às vezes causa dor. Dentro do meu peito sinto a pressão angustiante de querer exprimir o que há em meu coração. Sinto a luta dentro de minha alma entre o querer manifestar e o medo de revelar-se.

Desde a infância, quieta reservada, pouco se relacionava. Na escola, não tirava dúvidas com as professoras, não reclamava do colega que me provocava, não questionava, não criticava. Como professora que agora sou, pergunto-me como consegui suportar e viver de tal forma nessa vida escolar. Crianças reclamam, crianças choram, crianças brigam. E a criança que existia em mim, talvez fosse apática. Feliz, sim! Posso afirmar. Mas, sempre fechada, sem saber como expressar meus sentimentos.

Muitas vezes chorei - lembro-me. Penso que talvez quando a dor não coubesse mais num coração tão pequeno, ela saia através das lágrimas. E lágrimas receosas.
 
Atualmente tento fazer a relação daquela menina, com a menina que é hoje. Talvez a diferença seja que meu semblante no presente, é de muitos sorrisos, mesmo quando há tristeza em meu coração. E que se hoje eu choro, é constantemente sozinha, escondida. Mas o silêncio? Ainda carrego na minha alma.

Na ânsia de muitas vezes querer expressar-me, meu coração se cala, emudece. O medo me impede de falar, de dar minha opinião, de tirar minhas dúvidas, e até de ser curiosa.

Por instantes, gostaria que as pessoas lessem meus pensamentos, meu semblante, meus olhos. Para que soubesse o desejo que eu tenho de falar, perguntar, expressar-me.

Pela dificuldade que tenho de me expor, meu corpo reage de maneira a revelar-me. Manchas vermelhas surgem pelo meu corpo, mal estar, ânsia de vômito e até o ato de literalmente regurgitar. E como já dizia minha psicóloga: por algum lugar tem que sair aquilo que não permito. Se além de não falar, há dificuldade também em chorar, meu corpo há de revelar.

Enquanto não encontro a verdadeira cura, uso as palavras escritas como válvula de escape, embora nem tudo se resolva através disso.

“Há um silêncio dentro de mim, e esse silêncio tem sido a fonte de minhas palavras” – Clarice Lispector

30 comentários:

Jaque Gonchoroski disse...

Nathy querida... Eu sei como é isso... Sempre fui muito tímida e tinha medo de falar com as pessoas. Eu pensava centenas de vezes no que eu pensava em falar e acabava não falando. Sempre tive vergonha no colégio também, medo de ser criticada e zombada pelos outros.

Não sei te dizer como superei isso... Mas na faculdade as coisas foram mudando e eu me soltei mais. Até consegui fazer a homenagem no dia da minha colação! xD

Que o ato de escrever te ajude sempre mais.

Beijinhos!

Nanda Meireles disse...

Oi.
A emoção humana muitas vezes se torna nosso maior inimigo. É necessário mesmo uma luta interna diária para superar nossas faltas ou necessidades emocionais.
Mas Deus é contigo nessa peleja e sei que a escrita é um forte aliado, pois a palavra é poderosa.
Saiba que sempre que precisar pode contar comigo, uma irmã em Cristo e uma amiga de coração.
Super beijo Nathy.

Jota disse...

Nossa, eu fiquei preocupado com você!
Naty, as palavras são vagas em um momento desses, mas assim: você já identificou onde é frágil. Agora é o momento de trabalhar na possibilidade de mudança. É tudo uma questão de DECIDIR MUDAR.

Espero que ajude. Beijos, obrigado por sempre estar no meu blog!

Jana disse...

olha, nesses meus 21 anos é exatamente isso que venho tentando mudar. Sou comunicativa até, mas quano se trata dos meus desejos e sentimentos, aí é diferente. Acho que é o meu pior defeito. Calar diante de tudo. As vezes é mesmo difícil, e claro, temos que mudar. Mas por onde começar, como começar?

any crue disse...

as vezes é bom ficar em silencio ;)

Gabriela Furtado disse...

Bem, não tenho dificuldade de expressar o que eu penso, costumo falar o que me vem na cabeça; mas as vezes é bom manter o silêncio, confesso que não consigo. Acho que o bom é o meio termo, e acho, que através da escrita tu podes achar isso
beijos

Michele disse...

Nathy, eu já me reprimi muito também. E ganhei uma urticária que tratei dos 09 aos 22 anos de idade, com crises que iam e vinham. Mas nos últimos tempos, nem medicamentos, nem vacinas funcionavam mais. Foi quando num trabalho da faculdade tomei o conhecimento de doenças psicossomáticas, especialmente dos processos alérgicos que se desencadeiam quando reprimimos nossos sentimentos. A partir daí me esforcei para mudar muitos hábitos, e hoje posso dizer seguramente que sou outra pessoa!
Sou segura ao expor minhas opinições, não me importo com o que pensam ou dizem, penso primeiro em mim. E nunca mais tive nada!!! Não acredito em coincidências. Creio que aquilo tudo que eu sentia era meu corpo quase que pedindo por socorro!
Não mudei da noite pro dia, não. Mudei muito, muito devagar (tenho hoje 28 anos). Mudei e às vezes essas mudança me faziam sentir culpada, envergonhada. Mas isso tudo vai começando a fazer parte da gente, do nosso dia-a-ida, especialmente quando você percebe que quando diz aos outros o que sente, impõe os seus limites, declara suas vontades, é mais respeitada, adquire mais conquistas!

Talvez você consiga mudar devagarzinho, falar mais! Não tenha medo de mostrar-se, de baixar a guarda! Você só tem a ganhar com isso! E se um dia você tirar a armadura e te ferirem, tome isso como mais uma lição de vida! Não tenha medo, corra riscos e viva, querida, PLENAMENTE!

Um beijo no coração!

Italo Stauffenberg disse...

Nathy, hei de concordar com o James. Se já identificastes o problema é hora de expulsá-lo de sua vida! Já deve ter colocado isto diante de Deus, não? Agora é hora de decidir mudar! Eu sei que vc pode fazer isso!

Fica na paz de Deus!

A. disse...

eu te entendo sabe, ás vezes quando não estou tão bem eu queria que alguém percebesse e me desse apoio, mas acho que as pessoas andam tão preocupadas com o dia a dia que deixam de observar as outras. Ainda bem que você conhece o que está passando, isso é um grande avanço, só mesmo Deus para nos aliviar de toda a pressão sobre nossas pernas, as vezes sinto vontade de explodir, mas sempre me volto pra Deus e procuro refúgio nos braços dEle. Nós sabemos que no mundo teremos aflições né?! mas também sabemos que não estamos sozinhos nelas. Beijo.

Auricio disse...

Complicado!
Não sou o tipo de pessoa que costuma contar sobre minha vida pra todo mundo, não gosto quando algo comigo vira notícia e as pessoas falam o que não sabem. Porém, tenho alguns amigos (conta-se nos dedos) que conto tudo... Na verdade, muitas vezes eu não preciso contar, amigo te conhece pelo olhar, e muitas vezes conseguem saber muito mesmo quando não falamos!

E você usa as palavras muito bem, tem uma ótima válvula de escape.

Beijo!

Malu disse...

Sei como você se sente Nathy (e você já sabe que eu sei!). De fato, é complicado esse estado, essa ânsia de não conseguir expressar o que pensamos, de manifestar o que sentimos... Não é à toa que, agindo assim, nos surjam sintomas psicossomáticos como a Michele lembrou. No meu caso, convivo com tais experiências desde muito criancinha, quando precisava usar um colete ortopédico para coluna. Bastava colocá-lo e, de alegre e satisfeita que eu pudesse estar, passava para um estado apático e uma consequente febre que, se não me tirassem o tal aparelho, correria o risco de chegar aos 40º... Só há pouco tempo, depois de conhecer a D.E, vim entender a essência do "mente sã, corpo são" e as tais doenças emocionais. Ter essa compreensão é legal quando, com o tempo e o exercício, a gente consegue perceber qual sentimento se manifesta através de determinados sintomas físicos, o que é um pouco do auto conhecimento já ensinado por Sócrates. Aprendi e acredito ser esse o caminho da cura, Nathy! Percorrê-lo não é fácil, mas a gente segue tentando... Jesus é o Nosso Guia!! ;)))

Beijinhos, querida!
Fica bem!!

Juscelia Martins disse...

Minha amiga blogueira.. me identifico com cada palavra sua.. também fui e sou muito tímida...
É engraçado... mas as vezes achamos que somos a única criatura no mundo que passa por tudo isso... e não somos... acredito que como eu vc também deva ter muitas histórias boas e ruins nesta vida... e tenho certeza que muitas delas só nos fizeram crescer... nosso blog é nossa terapia.. sinto que é como um pedido de socorro pra que nos entendam... mas acalma nossos corações e anseios né? Bjos fica com Deus!

Mel disse...

Minha querida, acho que você devia experimentar arriscar-se mais, uma vezinha, pelo menos... isso te faria bem. Porque somatizar os sentimentos não é bom pra você. Eu sabia que você é tímida, mas não imaginei que suas dificuldades fossem tão delicadas - e isso me preocupa. Mas você acha que seu limite é pequeno, na verdade não é. Você pode. Só precisa experimentar e descobrir que pode ir além.
beijos

Unknown disse...

Sempre me expressei melhor atraves da escrita!
Me atrapalho bastante algumas vezes por isso!
Seria tão mais fácil de eu pudesse conversar com as pessoas por bilhetes...cartas...
^^

;***

Clara Alvarenga disse...

Lindinha, sei como é esse sentimento. Mas não reprima... as consequências são piores do que se expor. Experiência própria e vivenciada.

=***

fique bem florr

Dani disse...

Lindo texto, acabei por me identificar. Sempre fui uma criança calada, embora falasse demais! Sempre reprimi meus sentimentos e escondi minhas angustias, mas isso só nos mata por dentro.

Nati Pereira disse...

Tinha esse silêncio, essa barreira, quando era menor, só perdi com 15 anos e até hoje não parei mais de falar, falo até demais. beijo

Patrícia disse...

Gostei bastante desse texto porque senti um pouco de mim nele. Sempre fui tímida e mesmo que fosse lotada de opiniões, nunca me expressava. Hoje, com 15 anos, falo pra caramba e sou bem espontânea mas apenas com os íntimos pq minha tímidez não me deixa. Preferi escrever pq tem vezes que nem chorar eu consigo. E escrever é realmente uma válvula de escape, que tem permite se libertar.

Beijos

Ana C. disse...

Me identifiquei muito com esse post.
Garotas tímidas de verdade (não àquelas que se dizem tímidas)irão se encontrar nesse texto.
Fui exatamente o mesmo tipo de garota que você. A diferença é que agora eu me revoltei contra o sistema (???) e resolvi colocar a boca no mundo. Devagar. E por enquanto bem baixinho. Mas já dei o primeiro passo.

Espero, sinceramente, que você também consiga. Eu sei o quanto dói essas coisas que ficam dentro da gente.

Abraço, Nathy

;*

Dribook disse...

Oi Nathy!!! Obrigada pela visita e espero que possas acompanhar esssa galerinha hiper avancada!
Eu estou tentando...rsrsr beijoss

Adriana disse...

Obrigada!! ainda estou tentando haha, tambem gostei daqui vou passar mais!

Higor disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Higor disse...

já ouviu falar daquela técnica para falar em publico, que consiste em imaginar todo mundo pelado? rs... Qual o objetivo dela? alguém já parou pra pensar? Bom, parando pra pensar, chegamos a obvia conclusão que tal "macete" serve para nos por em igualdade (pelo menos por aquele momento) com aqueles que em nossas mentes são 'superiores' ao nosso intelecto. Pense: como alguém poderia rir, se todos já estão tão ridículos? logo não importa que merda a pessoa possa vir a falar, nada vai ser mais relevante que aquela situação. Ilustrando um pouco mais a timidez com palavras: o medo de se expressar se deve também a falta de confiança em nossa capacidade.

Em nossas mentes existem quilômetros e quilômetros de distância para com o próximo, mas na real somos todos bem parecidos. Depois que comecei a perceber isso, o medo de falar em publico foi sumindo... O que quero dizer, é que se esse seu "problema" não for algo mais especifico, experimente adotar uma perspectiva diferente em tais situações, que lhe causam desconforto. Exemplo: quando alguém apresentava um trabalho, na escola ou na faculdade, você lembra como ficava ao assistir? aproveitava pra conversar ou ficava la prestando atenção só para esperar o primeiro deslize e soltar uma gargalhada? O que quero dizer, é que ninguém liga tanto quanto nós mesmos. Ficamos nervosos, mas depois é a vez do nosso amigo do lado, que ao estar la na frente, vai sentir o mesmo que sentimos. Se esse for o seu caso, pense da seguinte forma... o que você escreve por aqui e atrai tantos comentários e identificações, te parece besteira ou opiniões falhas? por seus textos, fica claro a sua facilidade de se expressar; conforme eu ia lendo, em paralelo também ia imaginando que o motivo de tanta facilidade pra escrever fosse esse bloqueia na vida real. Exatamente como você disse: uma válvula de escape.

Pense nas pessoas e em seus orkuts com perfis coloridos, com todos aqueles erros de português além do grosseiro, com comunidades com carinhas de bebe pra geralmente quem não tem nada a oferecer; pense nelas de forma que se tornem inferior a você, mas não de forma ilusória, apenas ressaltando aquilo que você tem de melhor.

Olha, não to dando um veredito, tão pouco afirmando que esse é o seu caso. Digo essas palavras apenas por me conhecer, e saber que de pessoa pra pessoa, pouca coisa muda. Mas caso seja o seu caso, pense nisso e certamente o medo de se expor irá sumir.

Anônimo disse...

Dificuldade em se expressar? hmmm não tem muito o que fazer, a não ser praticar mesmo. Boa sorte
Beijos!

Mônica Alves disse...

Olha, só de você admitir que é uma pessoa reservada já é muita coisa. E outra, o fato de você conseguir se liberar escrevendo ajuda - e muito - nessa tentativa de se soltar mais, viu!

Anna Vitória disse...

Nathy, muitas vezes isso parece besteira, mas não é, isso é sério. Como você disse, seu retraimento se manifesta em você de forma física, e isso te faz mal e faz sofrer, não está certo. Sei bem como isso é complicado, porque eu fui uma pessoa realmente muito fechada quando criança, mas ter me soltado me fez um bem tão grande! Ainda sofro um pouco com isso, porque ainda acho complicado falar daquilo que está mais escondido em mim, e isso se manifesta de forma física também, tenho crises de ansiedade, o cabelo cai... A gente tem que aprender a se soltar mais, não se levar tão a sério, e confiar nas pessoas, confiar que elas podem nos ajudar só ouvindo.
Beijos

Italo Stauffenberg disse...

POis eh Nathy, mas eu ainda voto na Marina mesmo estando receoso!

É 43!

Forte abraço e uma semana abençoada para vocÊ!

eduarda cazé. disse...

Fiz um blog novo, passa lá, http://www.eduardaacaze.blogspot.com se gostar, comenta *-*

Luiza Vinhosa disse...

"Pela dificuldade que tenho de me expor, meu corpo reage de maneira a revelar-me."

Comigo acontece a mesma coisa. A única diferença é que eu também choro muito. Mas é uma válvula de escape que não dá conta de tudo e acabam ocorrendo manifestações no corpo também... E no colégio eu era exatamente igual a você...
Te entendo e sei que por mais que a gente queira, é difícil se soltar. A mudança é possível, mas costuma ocorrer de forma lenta e isso às vezes angustia. Mas o importante é não desistirmos.

Beijos

Unknown disse...

Bah, se escreve e tem tantos seguidores assim... imagina se não sentisse frio na barriga? heheh
Parabéns pelos textos (ao menos os que li, hehe)

Abraços e vamos divulgando o que é produto nosso
Sucesso