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domingo, 11 de agosto de 2013

Um dia qualquer

Sou filha de pais separados e desde que nasci, foram poucas comemorações de dia dos pais que comemorei na casa do meu pai. Todo ano comemoramos na casa da minha avó paterna, juntamente com meu avô, pai do meu pai. Entretanto, depois do falecimento do meu avô, não tive mais dia dos pais, junto com o meu pai. Acho que faz dois ou três anos que isso se repete. Não sinto falta, não me sinto triste e nem magoada. Ano passado já quis postar sobre isso no blog, mas com receio de quem poderia vir a ler, principalmente o meu pai, achei melhor não. Hoje resolvi escrever. Expor o que penso, o que sinto. E, desculpe a quem vier ler e não gostar do que leu. 

Dia dos pais, é como um dia qualquer pra mim. Ou, até os meus 16, 17 anos, talvez fosse o dia de passar com o meu pai, já que o mesmo, nunca morou comigo. Era o dia de entregar o presente e o cartão que eu fazia na escola. Que, aliás, era sempre muito confuso pra mim, quando pequena. Afinal, eu tinha um padrasto com quem morei desde os dois anos de idade e na hora de fazer o presentinho na escola, fazia pensando no meu pai biológico, mas me perguntava: e o pai que mora comigo? Talvez na minha cabecinha, tão inocente e confusa, não achava justo, presentear aquele que quase nunca estava comigo e deixar sem presente aquele que cuidava de mim todos os dias. Mas, eu fazia o que achava certo.

Atualmente, não tenho meu pai e nem padrasto comigo. Minha mãe se separou pela segunda vez quando eu ainda tinha 16 anos. Portanto, numa data como a de hoje, sinto-me sem pai. E não, isso não é triste. É apenas reflexivo. Por isso, hoje, tomei coragem e vim colocar em palavras o que está na minha cabeça, nos meus pensamentos. 

Enquanto muitos postam fotos com seu pais, textos e frases lindas em redes sociais, eu não tenho a mesma inspiração. Poderia fazer o mesmo, mas sinto-me falsa. Não conseguiria escrever muita coisa e o pouco que escreveria estaria sendo por obrigação, quase que sem nenhum sentimento verdadeiro. Triste é dizer isso. Triste é meu pai poder chegar a ler tudo que escrevo agora, mas garanto: não sou uma pessoa triste. 

E digo com sinceridade: não culpo meu pai. Não duvido do amor do meu pai. Aliás, sinto que sou muito parecida com ele. Posso entendê-lo e jamais julgá-lo. E espero que ele faça o mesmo. Se hoje tenho que agradecer a alguém, agradeço a Deus! Pela minha família, pelo meu pai, que apesar de ausente, é o MEU pai e sem ele eu não estaria aqui hoje. 

Há uma passagem na bíblia que diz: “Honre teu pai e tua mãe para que tudo te corra bem e tenhas longa vida sobre a terra”. E acho que apesar de tudo, sempre coloquei esse versículo em prática. Sempre respeitei e obedeci meus pais. Hoje, senti-me um pouco culpada, por já, com 26 anos de idade, não conseguir fazer nada pra mudar a situação. Digo, por exemplo: poderia pegar o carro e ir visitar meu pai, onde quer que eles estivesse. Mas, não. Não tenho essa vontade, não tenho essa liberdade. Não o culpo, e espero que ele também não faça o mesmo em relação a mim. 

Feliz dia dos Pais!

5 comentários:

Alessandra Rocha disse...

É complicado né Nathy? Entendo sua situação e acho também super compreensível esse seu sentimento, é complicado, mas o que na vida não é né? E realmente, dia dos pais é só mais um dia, o que realmente importa é o que você faz na sua rotina, no seu modo de viver e de agir e eu te garanto que mesmo com essa falta de proximidade teu pai se orgulha muito de ti (:

Se cuida moça!

beijos

Lilica disse...

Situação complicada mas se está bem resolvida para ti, então menos mal. Não sei mais o que dizer....
Beijos

Lu disse...

Nathy,

Senti a densidade e a verdade do seu texto. Não sei bem o que dizer, mas desejo que você continue serena em relação a essa experiência, colocando em prática a essência do que acredita e seja sempre feliz!

Beijo, querida!

PS.: precisei modificar o endereço do blog, de novo! ¬¬

marcela disse...

Ah querida se o seu coração está em paz com relação a isso então está tudo bem. Tenho certeza que mesmo o seu pai não estando perto de vc ele te ama, e acredito que o mesmo pode ser dito de vc. O que importa é o amor e os laçoes de sangue. O resto é resto. Beijo.

Kamilla Barcelos disse...

Nathy, eu imagino que para você deve ter sido um alívio poder colocar em palavras escritas tudo que escreveu. Fique em paz, beijos