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domingo, 3 de agosto de 2014

Procurando respostas

Acho que nunca estive tão confusa. Sempre fui muito pensativa, mas acho que minha cabeça nunca “borbulhou” tanto quanto atualmente. Sinto que às vezes travo uma luta: metade de mim é uma coisa, e a outra metade se perdeu. Quando questionada, não encontro as respostas corretas. Há dúvidas, há divisão de pensamentos, de escolhas, de vontades. 

Essa semana fui interrogada quanto ao que penso, o que sinto e tentei refletir sobre isso, mas ainda não sei se tenho todas as respostas. Coloquei-me a pensar, quando me disseram que talvez eu ainda acredite em contos de fadas e que eu espere um final feliz para minha história que é tão real e distante da fantasia, que talvez eu gostasse que fosse. Talvez eu realmente esteja esperando que alguém “mate a bruxa” que vive no meu caminho e que no fim tudo acabe feliz para sempre. Evidentemente eu precisava ser frustrada da forma como estou sendo, para aceitar que isso tudo realmente pode acontecer comigo. Pode e aconteceu! Não é a história da minha amiga, não é o enredo da novela das nove, nem uma história do livro de Nicholas Sparks, onde é claro, eu não sou a mocinha feliz do final. A história é minha, é real, e não vai acabar em felizes para sempre. Ok. Ainda estou digerindo.

Quando questionada sobre o porquê de não demonstrar o que sinto e o que quero, tentei pensar, refletir e acho que isso vai muito além do que estou vivendo no momento, além, talvez, até do meu consciente. Acho que já sofri muito com isso. Em tentar demonstrar os meus sentimentos e não conseguir. Escrevo, faço favores, dou presentes, surpreendo, me dôo como posso, mas dificilmente consigo expressá-los em palavras ao vivo ou carinhos. Há quem diga que sou carinhosa e tenho um coração gigante, mas tenho consciência de que não ajo como eu mesma gostaria. 

Tenho uma dificuldade imensa para chorar e tive a vida inteira. Tanto quando a dor era grande, quanto quando a emoção não cabia em mim. Acho que são muito poucas, as pessoas que já me viram chorar publicamente e eu sempre digo que para isso acontecer é porque realmente o sentimento já não cabia em mim, ou eu estava de tpm (ou porque eu estava no meio de uma unção e não tive controle sobre o poder de Deus sobre mim). Ao mesmo tempo, choro sozinha, com coisas tão banais, até com programas infantis de TV. Há um trecho do livro “Divã”, da Martha Medeiros, com o qual (de vários) me identifico muito: “Não sei de onde vem este meu pudor em chorar na frente dos outros, acho que tem a ver com esta minha intransigência interna, não me permito ficar vulnerável.” Sempre me lembro desta frase. Parece que realmente não quero mostrar-me fraca, sensível, mas ao mesmo tempo muitas vezes, por ser assim, passo a impressão de ser insensível; o que eu de fato, não sou e nem gostaria de passar a impressão de ser. 

Há muitas pessoas que dizem o quanto eu sou sorridente e que é uma das coisas que mais tenho de bonito. Mas, em um momento triste, eu também já ouvi que além de ver o sorriso no meu rosto, queriam ver-me sorrir com o coração. E é esse tipo de pessoa que realmente enxerga a Nathalia que eu sou. 

Refleti sobre as questões que me foram lançadas e quanto ao que vivo atualmente, algo que pensei bastante em relação a ser transparente quanto as minhas vontades é que além das dúvidas entre o querer e o não querer, havia também o certo e o errado. Parece que havia sempre o peso de estar fazendo algo que não era correto, embora eu quisesse e muitas vezes fiz! Ás vezes eu não conseguia aproveitar o momento, porque a minha própria consciência não deixava. Há quem dissesse que eu não estava fazendo nada de errado, mas também havia todos os meus princípios, todo o meu lado espiritual lutando contra o meu lado carnal. Há coisas muito íntimas que precisam ser expressas verbalmente, para que pelo menos eu possa entender o porquê de algumas coisas, mas é tão difícil falar! É tão difícil confessar que minhas atitudes foram contrárias aos meus princípios. 

É por isso que há tanta dúvida, tanta confusão. É por isso que eu precisei procurar ajuda. E é por isso, que eu não abriria mão de outra profissional, que além de já conhecer o meu passado, é também, cristã. Caso contrário, ia ser muito difícil ir à busca de mim mesma. 

1 comentários:

Malu disse...

"...mas é tão difícil falar! É tão difícil confessar que minhas atitudes foram contrárias aos meus princípios." Ah, Nathy, eu poderia destacar todo parágrafo pois ele fala tanto por mim (só pra variar, né?), mas a sensação foi que através dessa única frase você despiu minha alma!

É muito difícil falar sobre certas coisas sim, principalmente se estas estão relacionadas às nossas "fraquezas" ou "quedas". Mas até sobre isso eu tenho minhas dúvidas, sabe? É que não gosto dessa visão que limita nossas ações na estreiteza dos conceitos de "certo" ou "errado". Pode ser rebeldia de minha parte pensar assim, mas acho que no fim das contas nós somos o que somos: aprendizes nessa escola da Vida. Agimos de acordo com a verdade do nosso coração, e quando nossas ações vêm dele minha amiga, não existe feio ou bonito, certo ou errado, só sentimentos que dizem respeito àquilo que ainda somos, àquilo que por ora sabemos...

Torço por você,sempre! Beijinhos, lindo dia!