Uma das minhas formas de demonstrar amor é presenteando. Gosto de comprar presentes e mais ainda de personalizá-los para a pessoa a quem vou dar. Portanto, no dia de hoje, onde as pessoas costumam presentear aqueles que são pais, eu parei para refletir no que venho fazendo há 27 anos: presenteando meu pai por qualquer outro motivo que não por vontade própria.
Desde que entrei na escola, e que ao comemorar o dia dos pais, fazia-se lembrancinha para o mesmo, eu sempre agi como uma máquina programada. Que faz aquilo que lhe mandam fazer e que é o correto fazer, aos olhos de toda sociedade (na época). Lembro-me o constrangimento que era ter que participar de alguma gincana ou algo semelhante a isso, para comemorar o dia dele e ter que participar com ele, ao invés do meu padrasto. Porém lembro-me do alívio que eu sentia quando ele dizia que não iria. Ele nunca foi de correr, jogar bola e participar de atividades físicas. Então, ele tirava o corpo fora, e meu padrasto entrava em cena. Ufa! Aí sim, eu me sentia mais à vontade! Mas, ainda assim, meio constrangida. Era uma confusão de pais nos eventos que eu participava na escola, que eu realmente não sei o que passava em minha mente. Se hoje eu já não consigo dar nome aos sentimentos, imagino há uma época em que minha mente era tão inocente.
Hoje, mais uma vez, foi um ano reflexivo. Mais do que o ano passado, já que atualmente esse assunto tem sido tão recente em minha vida. Pensando no que daria ao meu pai de presente, fui mais além e perguntei para mim mesma: presente pra que? Eu nem tenho inspiração para pensar num presente ideal. Não sei o que ele gosta, do que ele precisa. Cada ano revezo entre uma camisa, uma loção pós barba, um perfume... Não tenho criatividade para variar. Cartão? Que é a parte mais importante para mim no presente, acho que nunca dei, depois que passou aquela fase escolar. Ano passado eu deixei o presente dele na minha avó e ele foi buscar. Agradeceu por mensagem depois. Esse ano vou repetir a atitude? Não. Decidi que este ano, não!
Enquanto a timeline do meu facebook é recheada de homenagem à pais, eu penso no que escrever para o meu pai, o qual sabe que o que mais gosto de fazer é transmitir meus sentimentos através das palavras e que esse seria um dia para fazê-lo por ele, porém não há nada dentro do meu coração. E eu acredito que no fundo, ele não tenha esperado mais do que eu realmente deixei a ele: “Feliz dia dos pais!” com uma foto minha, com ele e minha irmã.

1 comentários:
Não é "pão durice" mas eu não sei presentear... como voce falou, gosto das coisas simples como um cartão mas, sempre acho pouco... por isso presenteio pouco também.
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