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terça-feira, 23 de setembro de 2014

Pós-terapia

Depois de uma segunda-feira cansativa de trabalho, entrando em casa, após chegar da minha sessão de terapia, minha mãe pede que eu separe e guarde as roupas que haviam sido passadas pela diarista. Fiz o que ela pediu, deixando algumas roupas para trás, alegando não serem minhas. Enquanto eu guardava as minhas roupas, no meio delas, me deparei com algumas peças que não eram minhas e as devolvi na cama da minha mãe, para que minha irmã as pegassem, pois pareciam serem dela. No meio disso tudo, minha irmã disse que eu estava insuportável com o meu jeito de falar, minha mãe para completar, falou: “ Pois é! Acaba de chegar da terapia e ao invés de chegar de bem com a vida, chega nesse mau-humor!” Escutei aquela frase, que soou ignorante no momento e respondi: “Você não é terapeuta? Deveria saber que a terapia não faz com que saiamos todas as vezes de bem com a vida. Muito pelo contrário...” E ela defendeu-se: “Eu sei sim! Mas hoje, pelo amor de Deus! Você está insuportável!” Tive vontade de continuar, respondendo, que se ela sabia, que então não falasse merda. Mas fiquei quieta. 

Não acredito que tenha sido a terapia o motivo de eu ter chegado de mau humor. Aliás, nem de mau humor eu estava. Eu apenas tinha acabado de chegar em casa, cansada e sem paciência. E do jeito que falaram comigo, eu correspondi. 

Agora se tem uma coisa que me irrita, é lançar frases sem sentido, como esta, sobre uma desagradável atitude minha. 

Uma vez ouvi uma frase do tipo: “Vive na igreja, e é desse jeito!” (não foi bem essa maneira de dizer), mas o fato é que se vou à igreja, é porque não sou perfeita, caso contrário já estaria no céu. Dá pra jogar outro argumento na minha cara?! Porque esse, certamente não faz sentido! 

Agora, porque vou a terapia sou obrigada a chegar em casa de bem com a vida?! Ah, me poupe! Se eu estivesse de bem com a vida, com toda certeza eu estaria gastando meu dinheiro com outras coisas.

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